Ser Emocionalmente Convincente

TREINO NA ÁREA COMPORTAMENTAL
De Jorge Araújo
Citação do livro “Tudo se Treina” (mesmo autor)

Com a realidade em que nos inserimos a mudar tão rapidamente, é fundamental uma grande capacidade de iniciativa e adaptabilidade, tal como uma constante preocupação e relacionamento com os outros (inteligências emocional e social).
O que significa que, para além dos traços de personalidade ou características individuais de cada um de nós, é decisivo que em termos educacionais e formativos estejamos integrados numa Cultura assente em Valores que nos orientem do ponto de vista comportamental.
E sermos preparados de forma continuada a saber gerir as nossas emoções (inteligências emocional e social) e potenciar a nossa capacidade de termos uma visão clara do que pretendemos ser e alcançar (inteligência espiritual).
Como?
Através de um treino na área comportamental sob a pressão do tempo e dos resultados, “treinando como se joga” e “aprendendo a fazer, fazendo”, adquirindo gradualmente hábitos comportamentais que nos habilitem para, ao serviço de um coletivo, o importante não seja o que dizemos, mas sim o que fazemos.
O que significa que, quando dizemos que as pessoas são o mais importante de um país ou de uma organização, assumimos a responsabilidade de dar sinais concretos, através dos nossos comportamentos e atitudes, que estamos verdadeiramente preocupados com essas pessoas. Ouvindo-as e sendo sensíveis aos seus problemas, acompanhando-as, observando-as, dando-lhes feedback constante, ajudando-as a refletir no sentido de melhorarem continuamente.
Entretanto, fala-se muito da necessidade de apresentarmos atitudes ganhadoras. Mas o que é que isso verdadeiramente significa?
Uma atitude ganhadora começa por ter como base essencial, um compromisso emocional para com a carreira e respetivas responsabilidades sociais e profissionais.
Assenta numa intenção constante de melhoria individual ao serviço do coletivo, tendo em vista atingir desempenhos correspondentes ao máximo do potencial que cada um revela. Também, como é óbvio, na vontade que cada um de nós evidencia para se afirmar socialmente.
Mas não só!
Por vezes ganhamos, ou temos sucesso e sentimo-nos incómodos. Outras, quando perdemos, ou temos insucesso, sentimos estar no caminho certo que nos conduzirá a futuras vitórias.
A atitude ganhadora tem a sua verdadeira expressão sempre que atuamos de modo a assessorar a qualidade do coletivo de que fazemos parte, apontando constantemente para o nível de excelência que pretendemos alcançar e trabalhando em conjunto para o conseguirmos.
Mais do que de palavras, a atitude ganhadora requer atitudes e comportamentos perseverantes e ambiciosos, procurar melhorar sempre e apontar objetivos que nos forcem a uma superação constante.
Trabalhar arduamente, estabelecer relações pessoais próximas baseadas na confiança, apontar objetivos parciais e globais ambiciosos, mas alcançáveis. Revelar espírito de sacrifício ao serviço da organização, preocuparmo-nos com os outros, ganhar com humildade, perder com dignidade, transformar a generalidade dos acontecimentos negativos em positivos.
E, acima de tudo, gostar muito do que fazemos!
Propagando-se as emoções como os vírus, muitas vezes, por evidente falta de atitudes positivas de quem lidera, generaliza-se a apatia, o medo de errar, a passividade, a irresponsabilidade. Tendo nascido criativos, imaginativos e motivados é, afinal, o enquadramento social, escolar, profissional em que nos desenvolvemos posteriormente, que nos vai desmobilizando.
Quem, por exemplo, acompanhar um conjunto de crianças a iniciarem-se na prática desportiva, verifica de imediato um enorme entusiasmo e entrega às tarefas respetivas. No entanto, passados alguns anos de frequência escolar e de presenças em treinos nos clubes, tudo isso desaparece. Porque será?
Como aceitar que, enquanto crianças e jovens sejamos intrinsecamente motivados e, ao chegarmos à idade adulta, precisemos da ajuda de ações extrínsecas estimulantes da nossa motivação?
O que será que nos fazem que nos vai retirando gradualmente algo de que tanto carecemos?
Com todo o peso da ironia desta situação, assistimos então a professores, treinadores e psicólogos a debaterem-se cada vez mais com a necessidade desses mesmos jovens readquirirem por via de ações extrínsecas, aquilo que afinal intrinsecamente já possuíam!
O comportamento humano tem em si mesmo profundas capacidades motivacionais que, sempre que as circunstâncias assim o permitem, desabrocham na sua plenitude.
Vezes sem conta, quadros de empresas que no exercício das suas profissões parecem desinteressados, confirmam isso mesmo no usufruto dos seus tempos livres, participando entusiástica e empenhadamente em “hobbys” dos mais diversificados.
Quantos deles aliás, após anos de apatia e desmotivação, simplesmente porque alguém se lembrou de os consultar e ouvir acerca do que verdadeiramente gostavam de fazer, se transcendem por completo e se apresentam de um dia para o outro completamente transformados?
Mobilizar a motivação de tudo e de todos, deve constituir assim a nossa preocupação central. E para isso precisamos desenvolver diferentes formas de comunicação que conduzam a um nível de cooperação que faça aumentar gradualmente os necessários níveis de confiança.
Respeitando o ajustamento e adaptação de cada membro do coletivo à sua tarefa, respondendo às suas necessidades de retornos (feedback) intrínsecos e extrínsecos, gerindo de forma eficaz as expectativas que possuam face aos seus desempenhos.
Sem invalidar a necessária preparação para aquilo que é esperado, devemos preocupar-nos com a absoluta necessidade de nos prepararmos para saber gerir o inesperado. Com a preocupação de compatibilizar o mais e o melhor possível, os objetivos individuais com os coletivos, regulamentando a vida coletiva e sabendo o que realizar, como e por quem. Eliminando o mais possível o medo de errar e fomentando uma vontade constante de arriscar e experimentar novas formas de abordagem de uma realidade cada vez mais turbulenta.
Entre as organizações do mundo moderno que mais se destacam, o que verdadeiramente as diferencia não é o saber e as tecnologias, onde afinal o equilíbrio é por demais evidente. O que as distingue das restantes, são as atenções que dedicam e os cuidados que revelam, acerca de tudo o que ao comportamento humano diga respeito.
As organizações que conseguem que as pessoas cooperem e colaborem ao serviço do bem comum, envolvendo-as e responsabilizando-as, alcançam naturalmente a meta pretendida de um todo maior que a soma das partes.
O que não constitui propriamente uma grande surpresa!
Afinal, não somos em toda a nossa diversidade, pessoas e seres humanos? Porquê estranhar então, que seja o comportamento e as atitudes dessas mesmas pessoas, a apresentarem-se hoje como a questão central, sobre a qual deveremos fazer incidir as nossas atenções?
Dependemos de modo bem evidente dos seus desempenhos e das atitudes e comportamentos que possam ter face às exigências da realidade e da profissão.
E uma vez chegados a esta conclusão, de imediato se desencadeou o que podemos designar como uma verdadeira “caça ao tesouro” escondido num “interruptor do sucesso” que, uma vez descoberto, nos proporcionaria o sucesso tão pretendido!
Quem descobrisse o filão contido nas profundidades e complexidades do comportamento humano, estaria “bem na vida”. E daí emergiram então as muitas e diversificadas “receitas” que proliferam no mundo empresarial atual.
Como se fosse possível “enquadrar” a nossa humanidade e emoções num conjunto de receitas que, uma vez aplicadas, dariam como resultado colaboradores motivados e empenhados.
A complexidade das nossas reações humanas não pode ser enfrentada com essa simplicidade!
Urge assim, aumentar o investimento em treino e desenvolvimento de pessoas e equipas, melhorar as condições em que trabalham (instalações, material, equipamento, etc.), eliminar todo o tipo de obstáculos que obstem a um bom rendimento (meio ambiente, liderança, etc.) e treinar de forma continuada as suas atitudes e comportamentos.
E evitar que nos deixemos dividir entre o que julgamos que somos, (o eu imaginário), o que verdadeiramente somos, (o eu real) e o impacto que temos nos outros. O que significa a necessidade de buscarmos a informação que carecemos, através de testes e questionários variados e a presença constante de quem nos ajude a “ver ao espelho”.


Um “coach” (treinador) cuja observação, perguntas e capacidade de escuta, permita que nos dê feedback e ajude a refletir e aprofundar quais são os nossos pontos fortes e fracos, que erros cometemos e como corrigi-los (melhoria contínua, busca constante da excelência).
Para além disso, devemos tentar ser merecedores da confiança daqueles que nos rodeiam, revelando ser capazes de falar verdade, ser transparentes, honestos, frontais e revelando uma constante preocupação com as expectativas e ambições dos outros.
Segundo as regras básicas há muito definidas acerca da comunicação, devemos estar preocupados mais com aqueles a quem nos dirigimos, criando as condições necessárias para que aquilo que dizemos e fazemos, seja ouvido e compreendido por aqueles a quem nos dirigimos.
Ao contrário do que se julgou durante muito tempo, na comunicação não é só importante o que é dito! Também não só o que é ouvido! Mas sim o que é compreendido!
E acima de tudo o impacto comunicacional daquilo que dizemos! Para além do conteúdo, (das palavras), questões como a expressão corporal e o tom de voz, apresentam-se com enorme importância na comunicação com os outros.
Comunicar é fazer-se compreender e, como tal, depende não só do meio em que se movimenta o nosso interlocutor, como obviamente daquilo que pretendemos transmitir e do contexto em que nos encontramos.
O que obriga a que, se quero comunicar, me devo obrigar a, não só conhecer o meu universo, como principalmente identificar o daquele (ou aquela) a quem me dirijo.
A mensagem a transmitir não é apenas o que eu digo, mas também aquilo que eu sou!
E cumpre a cada um de nós a responsabilidade de fomentar a criação de um meio ambiente organizacional impulsionador e criador das melhores condições possíveis para que pessoas e organizações tenham sucesso.
Onde as pessoas, persigam a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida que carecem, como também, a satisfação com aquilo que fazem, orgulho de pertença, distinção, reconhecimento social e afirmação pessoal.
E as organizações, nunca esquecendo os resultados, a produtividade, a competitividade, o lucro e a imagem, não abdiquem em simultâneo da responsabilidade social positiva a que aspiram.

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